quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O CREDO: UMA PROFISSÃO DE FÉ



“Recitar com fé o Credo é entrar em comunhão com Deus Pai, Filho e Espírito Santo É também entrar em comunhão com a Igreja inteira, que nos transmite a fé e no seio da qual cremos: Este Símbolo é o selo espiritual, a meditação do nosso coração e o guardião sempre presente; ele é, seguramente, o tesouro da nossa alma.” (CIC § 197)
A fé é um ato pessoal, pelo qual o homem submete completamente sua inteligência e vontade a Deus, na certeza de que obedece à verdade. O autor da carta aos Hebreus afirma que: “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê” (cf. Hb 11,1). Assim sendo, podemos concluir que a fé implica uma adesão pessoal do homem a Deus e concomitantemente o assentimento livre a toda a verdade que Deus revelou, mostrando assim, a diferença da fé crista (que se entrega totalmente a Deus) para uma fé meramente humana, nas criaturas. Com efeito, assevera o profeta Jeremias: “Eis o que diz o Senhor: Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!” (Jr 17,5).


“Na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a graça divina: "Credere est actus intellectus assentientis veritati divinae ex imperio voluntatis a Deo motae per gratiam - Crer é um ato da inteligência que assente à verdade divina a mando da vontade movida por Deus através da graça". (CIC § 155; S. Tomás de Aquino, S. Th. II-II,2,9)

Apesar da fé cristã ser um ato pessoal, de forma alguma é um ato isolado. Ninguém pode crer sozinho ou dar a si próprio a fé. Recebemos a fé da Igreja (cf. I Cor 11,23;15,3; II Tess 2,15), a professamos e propagamos. Quando digo “eu creio” professo de maneira pessoal a fé recebida, ao passo que os fiéis reunidos numa mesma fé dizem “nós cremos”. Ensina com propriedade o Magistério:

“A fé é um ato pessoal: a resposta livre do homem à iniciativa de Deus que se revela. Ela não é, porém, um ato isolado. Ninguém pode crer sozinho, assim como ninguém pode viver sozinho. Ninguém deu a fé a si mesmo, assim como ninguém deu a vida a si mesmo. O crente recebeu a fé de outros, deve transmiti-la a outros. Nosso amor por Jesus e pelos homens nos impulsiona a falar a outros de nossa fé. Cada crente é como um elo na grande corrente dos crentes. Não posso crer sem ser carregado pela fé dos outros, e pela minha fé contribuo para carregar a fé dos outros."Eu creio": esta é a fé da Igreja, professada pessoalmente por todo crente, principalmente pelo batismo. "Nós cremos": esta é a fé da Igreja confessada pelos bispos reunidos em Concílio ou, mais comumente, pela assembléia litúrgica dos crentes. "Eu creio" é também a Igreja, nossa Mãe, que responde a Deus com sua fé e que nos ensina a dizer: "eu creio", "nós cremos". (CIC §167).


Desde seu início no primeiro século, a Igreja procurou preservar e propagar a fé recebida do Senhor (II Tim 1,14), para isso, valeu-se de formas breves e normativas de modo que todos os cristãos pudessem saber o essencial da fé revelada, não incorrendo em contradições ou heresias. Essas “formulações da fé” da Igreja são conhecidas como:

Profissões de fé, por resumir a fé professada pelos cristãos;

Credo, pelo fato de expressar aquilo em que o cristão crê (normalmente inicia-se com as palavras “Creio”... “Cremos”...);

Símbolos de Fé, pelo fato de significar a autenticidade do que se crê. A palavra grega “Symbolon” que significava a metade de um objeto quebrado, ao ter as partes juntadas, confirmavam a identidade do portador que trazia o complemento do Symbolon. (cf. CIC §188).

Como exemplo clássico das primeiras fórmulas de fé da Igreja, temos o testemunho de São Paulo, em sua Carta aos Coríntios, escrita provavelmente por volta do ano 56, relembrando aos Coríntios (por escrito), aquilo que ele já havia pregado anteriormente (oralmente), reproduzindo assim, uma antiga fórmula de fé que deve ter sido escrita poucos anos após a Ascensão do Senhor (1):

....

Nenhum comentário: