segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Bento XVI: Jesus introduz nossa história na eternidade


Bento XVI: Jesus introduz nossa história na eternidade


Intervenção com motivo do Ângelus

CIDADE DO VATICANO, domingo 15 de novembro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir o discurso pronunciado pelo Papa hoje durante a oração do Ângelus, com os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.


Queridos irmãos e irmãs!

Chegamos às duas últimas semanas do ano litúrgico. Agradecemos ao Senhor que nos tenha concedido cumprir, uma vez mais, este caminho de fé –antigo e sempre novo– na grande família espiritual da Igreja! É um dom inestimável, que nos permite viver na história o mistério de Cristo, acolhendo nas sendas de nossa existência pessoal e comunitária a semente da Palavra de Deus, semente de eternidade que transforma a partir de dentro este mundo e o abre ao Reino dos Céus. No itinerário das leituras bíblicas dominicais, tem-nos acompanhado o Evangelho de São Marcos, que hoje apresenta uma parte do discurso de Jesus sobre o fim dos tempos. Neste discurso, há uma frase que chama a atenção por sua clareza sintética: “o céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão” (Mc 13, 31). Detenhamo-nos um momento a refletir sobre esta profecia de Cristo.

A expressão “o céu e a terra” é frequente na Bíblia para indicar todo o universo, o cosmos inteiro. Jesus declara que tudo isso está destinado a “passar”. Não só a terra, mas também o céu, que aqui se entende precisamente no sentido cósmico, não como sinônimo de Deus. A Sagrada Escritura não conhece ambiguidade: todo o criado está marcado pela finitude, inclusive os elementos divinizados das antigas mitologias: não há confusão entre o criado e o Criador, mas uma diferença clara. Com essa clara distinção, Jesus afirma que suas palavras “não passarão”, quer dizer, estão na parte de Deus e portanto são eternas. Ainda que pronunciadas no concreto de sua existência terrena, são palavras proféticas por excelência, como afirma em outro lugar Jesus, dirigindo-se ao Pai do céu: “Porque eu lhes transmiti as palavras que tu me confiaste e eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (Jo 17, 8). Em uma célebre parábola, Cristo compara-se com o semeador e explica que a semente é a Palavra (cf Mc 4, 14): aqueles que ouvem a Palavra, a acolhem e dão fruto (cf Mc 4, 20) formam parte do Reino de Deus, quer dizer, vivem sob seu senhorio; permanecem no mundo, mas já não são do mundo; levam em si uma semente de eternidade, um princípio de transformação que se manifesta já agora na vida boa, animada pela caridade, e ao final produzirá a ressurreição da carne. Esse é o poder da Palavra de Cristo.

Queridos amigos, a Virgem Maria é o sinal vivo desta verdade. Seu coração foi “terra boa” que acolheu com plena disponibilidade a Palavra de Deus, de maneira que toda sua existência, transformada segundo a imagem do Filho, foi introduzida na eternidade, alma e corpo, antecipando a vocação eterna de todo ser humano. Agora, na oração, façamos nossa sua resposta ao Anjo: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38), para que, seguindo Cristo sobre o caminho da cruz, possamos chegar também nós à glória da ressurreição.

[Traduzido por Zenit

©Libreria Editrice Vaticana]

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