terça-feira, 5 de janeiro de 2010

NAZARÉ É A ESCOLA DO EVANGELHO.


Nazaré é a escola onde se começa a compreender a vida de Jesus: a escola do Evangelho. Em Nazaré aprendemos a olhar,
a ouvir, a meditar e a penetrar o significado profundo e misterioso desta simplíssima, humilde e belíssima revelação do Filho de Deus. Talvez possamos aprender até mesmo a imitá-lo, sem nos darmos conta disso.
Em Nazaré aprende-se o método que nos permite compreender quem é Cristo. Em Nazaré descobrimos a necessidade de observar o cenário, o panorama de sua estada entre nós: os lugares, os costumes, o idioma, as práticas religiosas, tudo o que envolveu Jesus, e de que Ele se serviu para se revelar ao mundo. Em Nazaré, tudo nos fala, cada detalhe tem um sentido. Aqui, em Nazaré, nesta escola, compreende-se a necessidade de uma disciplina espiritual, se o nosso desejo é o de seguir os ensinamentos do Evangelho e o de nos tornarmos discípulos de Cristo.
Oh, como desejaríamos voltar a ser crianças e retornar a esta humilde escola de Nazaré, como gostaríamos de, pertinho de nossa Mãe, Maria, recomeçar a adquirir a verdadeira ciência da vida e a sabedoria superior das verdades divinas! Mas tudo o que fazemos é passar... É necessário que conservemos o desejo de, a partir deste local, darmos continuidade à educação jamais conclusa, ao aprofundamento da inteligência do Evangelho. Nós não partiremos enquanto não tivermos recolhido às pressas e como que, às escondidas, algumas breves lições de Nazaré.


Inicialmente, uma lição de silêncio. Que possa renascer em nós o gosto pelo silêncio, esta admirável e indispensável condição do espírito em nós, que somos, tantas vezes, assaltados por tantos clamores, tumultos e brados em nossa vida moderna, barulhenta e hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré nos ensina e nos leva ao recolhimento, à interiorização, à disposição para ouvir as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres; ensina-nos a necessidade e o valor do preparo, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da prece que somente Deus vê em nosso íntimo.
Uma lição de vida familiar. Que Nazaré nos ensine o que é a família, sua comunhão de amor, sua austera e simples beleza, seu caráter sagrado e inviolável; aprendamos de Nazaré como é doce e insubstituível esta formação que dela recebemos; aprendamos qual é o seu papel primordial no plano social.
Uma lição de trabalho. Nazaré, casa do Filho do carpinteiro; é aqui, em Nazaré, que gostaríamos de compreender e celebrar a lei severa e redentora do labor humano; aqui, restabelecer a consciência da nobreza do trabalho; aqui, lembrar que o trabalho não pode ter um fim em si mesmo, mas que sua liberdade e nobreza vão além do seu valor econômico; valores inerentes à sua finalidade. Como gostaríamos, enfim, de saudar nesta cidade, todos os trabalhadores do mundo inteiro, mostrando-lhes o seu grande modelo, seu divino irmão, o profeta de todas as causas justas, o Cristo Nosso Senhor.
Homilia de Paulo VI em Nazaré - 5 de janeiro de 1964

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