sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Catequese do Papa: martírio, forma de amor total a Deus

Discurso de Bento XVI
Caros irmãos e irmãs,
hoje, na Liturgia, recordamos Santa Clara de Assis, fundadora das Clarissas, luminosa figura da qual falarei numa próxima Catequese. Mas nesta semana como já mencionei no Angelus de domingo passado fazemos memória também de alguns Santos mártires, seja dos primeiros séculos da Igreja, como São Lourenço, Diácono, São Ponciano, Papa, e Santo Hipólito, Sacerdote; seja de um tempo um pouco mais próximo de nós, como Santa Teresa Benedita da Cruz, Edith Stein, patrona da Europa, e São Maximiliano Kolbe.
Gostaria agora de falar brevemente sobre o martírio, forma de amor total a Deus.
Onde se funda o martírio? A resposta é simples: sobre a morte de Jesus, sobre seu sacrifício supremo de amor, consumado na Cruz para que pudéssemos ter a vida (cf. Jo 10, 10).
Cristo é o servo sofredor de quem fala o profeta Isaías (cf. Is 52, 13-15), que doou a si mesmo em resgate de muitos (cf. Mt 20, 28). Ele exorta os seus discípulos, cada um de nós, a tomar cada dia a própria cruz e segui-lo no caminho do amor total a Deus Pai e à humanidade: "quem não toma a sua cruz e não me segue diz-nos , não é digno de mim. Quem buscar sua vida a perderá, e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará (Mt 10, 38-39). É a lógica do grão de trigo que morre para germinar e trazer a vida (cf. Jo 12, 24). O próprio Jesus é o "grão de trigo que veio de Deus, o grão divino, que se deixa cair na terra, que se deixa partir, quebrar na morte e, precisamente através disto, se abre e pode assim dar fruto na vastidão do mundo" (Bento XVI,Visita à Igreja luterana de [14 de março de 2010]). O mártir segue o Senhor até o fim, aceitando livremente morrer pela salvação do mundo, em uma prova suprema de fé e de amor (cf. Lumen Gentium, 42).
Mas de onde nasce a força para enfrentar o martírio? Da profunda e íntima união com Cristo, porque o martírio e a vocação ao martírio não são o resultado de um esforço humano, mas a resposta a uma iniciativa e a um chamado de Deus, são um dom da Sua graça, que torna capazes de oferecer a própria vida por amor a Cristo e à Igreja e, assim, ao mundo. Se lemos a vida dos mártires, ficamos surpreendidos com a serenidade e coragem no enfrentamento da morte: o poder de Deus manifesta-se plenamente na fraqueza, na pobreza de quem se confia a Ele e só n'Ele deposita a sua esperança (cf. 2 Cor 12, 9).
Mas é importante enfatizar que a graça de Deus não suprime ou sufoca a liberdade daqueles que enfrentam o martírio, mas, ao contrário, enriquece-a e reforça-a: o mártir é uma pessoa extremamente livre, livre em relação ao poder, ao mundo, uma pessoa livre, que, num único ato definitivo, entrega a Deus toda a sua vida e, num supremo ato de fé, de esperança e de caridade, abandona-se nas mãos do seu Criador e Redentor; sacrifica a própria vida para se associar totalmente ao Sacrifício de Cristo na Cruz. Em uma palavra, o martírio é um grande ato de amor em resposta ao imenso amor de Deus.
Queridos irmãos e irmãs, como eu disse na quarta-feira passada, provavelmente nós não somos chamados ao martírio, mas nenhum de nós está excluído do chamado divino à santidade, a viver em alta medida a vida cristã, e isso implica tomar a cada dia a sua cruz. Todos, sobretudo no nosso tempo, em que o egoísmo e o individualismo parecem prevalecer, temos de assumir como primeiro e fundamental compromisso crescer a cada dia em um amor maior a Deus e aos irmãos, para transformar a nossa vida e assim transformar também o nosso mundo. Por intercessão dos Santos e dos Mártires, peçamos ao Senhor para inflamar o nosso coração para sermos capazes de amar como Ele amou cada um de nós.
[Traduzido do original italiano por Alexandre Ribeiro.
Após a audiência, o Papa saudou os peregrinos em diferentes idiomas. Estas foram suas palavras em língua portuguesa:]
Amados peregrinos de língua portuguesa, uma cordial saudação de boas-vindas para todos, nomeadamente para os grupos vindos do Brasil e para os fiéis portugueses da diocese do Porto. Cristo chama todos os batizados à santidade. Que o exemplo e a intercessão dos mártires vos ajude a assumir o empenho de crescer a cada dia no amor a Deus e aos irmãos para que assim possais transformar o mundo! Que Deus abençoe a vós e as vossas famílias.
[© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana]
Esta notícia é da Agência ZENIT.

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