quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A Jóia rara.


Atravessando o deserto, um viajante viu um árabe montado ao pé de uma palmeira. A pouca distância repousavam os seus cavalos, pesadamente carregados com valiosos objetos.

Aproximou-se dele, e disse:

- Pareceis muito preocupado. Posso ajudar-vos em alguma coisa?

- Ah! respondeu o árabe com tristeza, estou muito aflito, porque acabo de perder a mais preciosa de todas as jóias.

- Que jóia era essa? - perguntou o viajante.

- Era uma jóia como jamais haverá outra! - respondeu o seu interlocutor. Estava talhada num pedaço de pedra da vida e tinha sido feita na oficina do tempo. Adornavam-na vinte e quatro brilhantes, em volta dos quais agrupavam-se sessenta menores. Já vereis que tenho razão em dizer que jóia igual jamais poderá reproduzir-se.

- Por minha fé, - disse o viajante -, a vossa jóia devia ser preciosa. Mas não será possível que, com muito dinheiro, se possa fazer outra igual?

Voltando a ficar pensativo, o árabe respondeu:

- A jóia perdida era um dia, e um dia que se perde jamais se torna a encontrar.



Nenhum comentário: