quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A presença de Deus

Não sei como aconteceu a você. Sei apenas como conteceu comigo. Deus chegou ao meu coração, como um grande parábola. Tudo o que me rodeava falava D'Ele: o céu me falava D'Ele a terra me falava D'Ele, o mar me falava D'Ele.

Era como um segredo escondido em todas as coisas visíveis e invisíveis. Era como a solução de todos os problemas. Era como o personagem mais importante, que entrava na minha vida, e como o qual eu teria de viver para sempre.

Logo me senti envolvido por ELE, como uma PRESENÇA SEMPRE PRESENTE, e que me olhava por todas as folhas do bosque no qual eu passeava, e atraves das nuvens que andavam vivas sobre minha cabeça.

Jamais tive dificuldade em sentir a presença de Deus, principalmente quando criança. O que me pareceria muito estranho e inverossímil seria a sua ausência.
Senti-me, em Deus, como pássaro no ar, como lenha no fogo, como uma criança no seio da mãe.

Com efeito, penso que o seio de uma mulher, que contém uma criança, é o tem do universo inteiro, a visibilidade das coisas invisíveis, o sinal do modo de proceder da parte de Deus para tornar-me seu filho.

Nele "vivo e respiro", sentindo sua Presença geradora, embora - e isto me faz sofrer - ainda não tenha chegado o tempo de poder ver seu Rosto Divino, como diz a Bíblia, "face a face" (1 Jo 3,2).

Ainda é cedo.

Esta experi^ncia da presença de Deus em tudo, em qualquer situação, não é apenas minha. É a experiência do Povo de Deus, isto é, daqueles que crêm, os filhos de Abraão, como na Bíblia os chama.

" Em Deus existimos, respiramos, nos movemos" (At 17,28), e ELE é o fundamento de toda a realidade, a explicação do Ser, o siginifcdo mesmo da Vida e a raiz constante do Amor.

O que se exige da nossa parte é tomar consciência disso, percebê-lo na Fé, aprofundá-lo na esperança, vivê-lo na caridade.

É o caso da criança que, pouco a pouco, descobre a mãe e o pai, da mulher que encontra o marido, do homem que encontra o amigo.

É ignorância pensar, que ele seja na igreja e não na rua, na Eucaristia e não no meio da multidão, na felicidade e não na minha dor, nas coisas claras e fáceis e não nos problemas e dificulades.

Deus sempre está lá. Cheguei a sentí-lo sempre, em toda parte. E isso é minha força, como diz João:"Esta é a força que vence o mundo ...a Fé" (1 Jo 5,4).

Vejo-o na raiz de todas as coisas, por detras de todos os acontecimentos, na transparência de todas as verdades, no depósito de todo o amor.
Sempre. E é por isso que sou feliz. E nunca me sinto sozinho.

O que devo a ELE, como presença, é que tirou de mim todo o medo e que, curando os infinitos complexos que me subjugavam, me dá cada dia mais o sentido absoluto da "libertação".

Sinto Deus através do amigo que me fala, da dor que me faz chorar e da alegria que me faz cantar. Nunca estou fora D'Ele, longe D'Ele, sem Ele.

Se rezar significa "estar em Deus", posso dizer que rezo constantemente, por toda parte, porque todo lugar é seu templo.

É tolice dizer: não posso rezar, porque preciso trabalhar. O que me impede de rezar trabalhando? Sim trabalhando, você pode estar em oração.

Para estar sempre em oração basta que você se comunique. E comunicar-se significa amar.

É amando que você reza, porque é o amor que conduz à pessoa amada. Você ama, falando, chorando, pensando, caminhando, dormindo e rezando. Sempre, sempre, sempre. Vinte e quatro horas por dia.

Fonte: Livro Deserto na Cidade.

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