sexta-feira, 24 de setembro de 2010

26º Domingo do Tempo Comum Ano

O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá pão aos que têm fome e a liberdade aos cativos.
O Senhor ilumina os olhos dos cegos, o Senhor levanta os abatidos, o Senhor ama os justos.
O Senhor protege os peregrinos, ampara o órfão e a viúva e entrava o caminho aos pecadores.
O Senhor reina eternamente.
O teu Deus, ó Sião, é Rei por todas as gerações. Salmo 145 (146)

A liturgia deste domingo propõe-nos, de novo, a reflexão sobre a nossa relação com os bens deste mundo… Convida-nos a vê-los, não como algo que nos pertence de forma exclusiva, mas como dons que Deus colocou nas nossas mãos, para que os administremos e partilhemos, com gratuidade e amor.

Na primeira leitura, o profeta Amós denuncia violentamente uma classe dirigente ociosa, que vive no luxo à custa da exploração dos pobres e que não se preocupa minimamente com o sofrimento e a miséria dos humildes. O profeta anuncia que Deus não vai pactuar com esta situação, pois este sistema de egoísmo e injustiça não tem nada a ver com o projeto que Deus sonhou para os homens e para o mundo.

O Evangelho apresenta-nos, através da parábola do rico e do pobre Lázaro, uma catequese sobre a posse dos bens… Na perspectiva de Lucas, a riqueza é sempre um pecado, pois supõe a apropriação, em benefício próprio, de dons de Deus que se destinam a todos os homens… Por isso, o rico é condenado e Lázaro recompensado.

A segunda leitura não apresenta uma relação direta com o tema deste domingo…
Traça o perfil do “homem de Deus”: deve ser alguém que ama os irmãos, que é paciente, que é brando, que é justo e que transmite fielmente a proposta de Jesus. Poderíamos, também, acrescentar que é alguém que não vive para si, mas que vive para partilhar tudo o que é e que tem com os irmãos?

Um comentário:

Adilson Rosa disse...

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja

Reconhecer Cristo no pobre

Queres honrar o Corpo de Cristo? Então não O desprezes nos seus membros,
isto é, nos pobres que não têm que vestir, nem O honres no templo com
vestes de seda, enquanto O abandonas lá fora ao frio e à nudez. Aquele que
disse: «Isto é o Meu Corpo» (Mt 26, 26), e o realizou ao dizê-lo, é o mesmo
que disse: «Porque tive fome e não Me destes de comer» (cf. Mt 25, 35); e
também: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a
Mim que o deixastes de fazer» (Mt 25, 42.45). Aqui, o corpo de Cristo não
necessita de vestes, mas de almas puras; além, necessita de muitos
desvelos. [...] Deus não precisa de vasos de ouro, mas de almas que sejam
de ouro.


Não vos digo isto para vos impedir de fazer doações religiosas, mas defendo
que simultaneamente, e mesmo antes, se deve dar esmola. [...] Que proveito
resulta de a mesa de Cristo estar coberta de taças de ouro, se Ele morre de
fome na pessoa dos pobres? Sacia primeiro o faminto, e depois adornarás o
Seu altar com o que sobrar. Fazes um cálice de ouro e não dás «um copo de
água fresca»? (Mt 10, 42). [...] Pensa que se trata de Cristo, que é Ele
que parte errante, estrangeiro, sem abrigo; e tu, que não O acolheste,
ornamentas a calçada, as paredes e os capiteis das colunas, prendes com
correntes de prata as lâmpadas, e a Ele, que está preso com grilhões no
cárcere, nem sequer vais visitá-Lo? [...] Não te digo isto para te impedir
de tal generosidade, mas exorto-te a que a acompanhes ou a faças preceder
de outros actos de beneficência. [...] Por conseguinte, enquanto adornas a
casa do Senhor, não deixes o teu irmão na miséria, pois ele é um templo e
de todos o mais precioso.