quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O que nos ensina a antiguidade sobre a Santa Virgem, desde o início ?

O que nos ensina, sumária e globalmente a antiguidade sobre a Santa Virgem, desde o início? Como ensinamento sumário, entendo a maneira de ver a pessoa e o papel de Maria, logo ao primeiro contato, os grandes traços através dos quais nós a apresentamos, o aspecto sob o qual ela nos aparece nos escritos dos Padres da Igreja. Ela é a segunda Eva.

Para começar, eis São Justino (120-165), Santo Irineu (120-200) e Tertuliano (160-240). Entre os três, Tertuliano representa a África e Roma; São Justino representa a Palestina; e Santo Irineu, a Ásia Menor e a Gália ou, melhor dizendo, ele representa São João Evangelista. Na verdade, ele fora instruído pelo mártir São Policarpo, que fora estreitamente ligado a São João, assim como os outros apóstolos.

Ora, o que é particularmente admirável nesses três escritores é que eles não apresentam a Virgem Santíssima como um simples e puro instrumento físico da Encarnação de Nosso Senhor, mas como uma causa inteligente e dotada de responsabilidade, tendo a fé e a obediência como auxiliares da Encarnação, e obtendo esta Encarnação como recompensa. Assim como Eva que, pecando contra as suas virtudes, provocou a queda da nossa raça em Adão, Maria, graças a essas virtudes, teve uma parte em sua reabilitação.

Os três escritores declaram que ela cooperou para a nossa salvação, não somente, por meio da descida do Espírito Santo em seu corpo, mas pelos atos, especificamente santos - efeitos do Espírito Santo em sua alma. E explicam: se Eva perdera seus privilégios ao pecar, Maria adquiriu inúmeros privilégios por meio dos efeitos de sua graça; se Eva mostrou-se desobediente e incrédula, Maria foi obediente e acreditou; se Eva foi a causa e a ruína para nós, Maria foi a causa da nossa salvação; se Eva preparou o terreno para a queda de Adão, Maria preparou a reabilitação operada por Nosso Senhor; e assim, enquanto o dom gratuito não foi como a falta, mas muito maior do que a causa, segue-se que, se Eva cooperou na elaboração de um grande mal, Maria cooperou na elaboração de um bem muito maior.

John Henri Newman Carta a Pusey, 1866
(Carta a um irmão separado, sobre a devoção mariana dos católicos)

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