sábado, 11 de setembro de 2010

Você é um pródigo?



Diante da pergunta sobre a misericórdia, Jesus descreve uma parábola que simbolicamente representa os dois tipos de pessoas que estão com Ele, o que é atual : os publicanos e pecadores, por um lado, e os fariseus e letrados, por outro. Mas o protagonismo não é dos filhos nem de quem os representa, mas do pai e da sua misericórdia.

O filho mais novo: sempre ditador do seu destino (filhos que pensam hoje ser bem vividos); resolve então ir embora e não pensa em voltar, faz um discurso diante do seu pai antes de sair de casa. Surpreende a atitude do pai descrita com intensidade por uma lista de verbos que desarmam os discursos do seu filho e que indicam a tensão do seu coração: Um dia teve de voltar "Quando ainda estava longe, seu pai o avistou e sentiu compaixão. Correu-lhe ao encontro, abraçou-o e cobriu-o de beijos" (Lc 15,20). É o processo-relato da misericórdia de Deus e que deve ser acolhido por cada um de nós.

E o erro daquele filho menor, que o conduziu à fuga rumo às miragens de uma falsa felicidade e de uma escravizante independência, será transformado pelo pai em gozo e encontro, em alegria inesperada e desmerecida. A última palavra dita por esse pai, que é a que permanece sobre todas as penúltimas ditas pelo filho, é o triunfo da misericórdia e da graça.

O filho mais velho: triste é a atitude deste outro filho, aparentemente cumpridor, sem escândalos... mas ressentido e vazio. Não pecou, como seu irmão, mas não foi por amor ao pai, e sim por amor a si mesmo, à sua imagem, à sua fama, grande cuidado que temos de ter devido ao fato de se encher de si proprio e depois não saber como lidar com tudo o que recebe. Quando a fidelidade não produz felicidade, é sinal de que não se é fiel por amor, e sim por interesse. Ele tinha ficado com seu pai, mas havia colocado um preço ao seu gesto, que o impedia de permanecer como filho. Tendo tudo, queixava-se da falta de um cabrito. Quem vive calculando, não pode entender, nem sequer ver o que lhe é oferecido gratuitamente, em uma quantidade e qualidade infinitamente maiores do que se pode esperar.

Talvez cada um de nós seja uma variante desta parábola e tenha uma parte da atitude do filho mais novo e uma parte da do filho mais velho. O importante é que, no caminho da nossa vida, possamos ter um encontro com a misericórdia. Há muitas maneiras de viver longe do Pai Deus e muitas formas de desprezar seu amor estando junto d'Ele, porque podemos ser um filho perdido ou um filho órfão.

A trama desta parábola é a da nossa possibilidade de ser perdoados. O sacramento da Penitência é sempre o abraço desse Pai que, vendo-nos em todas as nossas distâncias, aproxima-se e nos abraça, beija e nos convida para a sua festa. Esta é a revolução de Deus que, de forma desproporcional e gratuita, com sua própria medida, não quer se resignar a que se perca um só dos seus filhos queridos.

Um comentário:

Sheila disse...

Pois é amigo, eu já fui o filho pródigo e hoje tenho que fazer o papel do pai misericordioso.
não sei o que é mais difícil... se arrepender e pedir perdão, ou perdoar quem tanto nos magoou...
um abraço e fique com Deus.