sexta-feira, 22 de julho de 2011

Jesus é a verdadeira "parábola" de Deus

No Evangelho (Mt 13, 1-23), Jesus se dirige à multidão com a célebre parábola do semeador. É uma página de certa forma autobiográfica, porque reflete a própria experiência de Jesus, da sua pregação: Ele se identifica com o semeador, que espalha a boa semente da Palavra de Deus e percebe os diversos efeitos que obtém, segundo o tipo de acolhimento reservado ao anúncio.
Existe quem escuta superficialmente a Palavra, mas não a acolhe; existe quem a acolhe no momento, mas não tem constância e perde tudo; existe quem está coberto pelas preocupações e seduções do mundo; e existe quem escuta de maneira receptiva, como a terra boa: aqui a Palavra dá fruto em abundância.
O Evangelho fala no método da pregação de Jesus, isto é, justamente no uso das parábolas: Por que lhes falas em parábolas?, perguntam os discípulos (Mt 13, 10). E Jesus responde fazendo uma distinção entre eles e a multidão: aos discípulos, ou seja, aos que já se decidiram por Ele, pode lhes falar do Reino de Deus abertamente; no entanto, aos outros é preciso anunciar em parábolas, para estimular precisamente a decisão, a conversão do coração; as parábolas, de fato, por sua natureza, requerem um esforço de interpretação, interpelam à inteligência, mas também à liberdade. Explica São João Crisóstomo: Jesus pronunciou estas palavras com a intenção de atrair a si seus ouvintes e de solicitá-los, assegurando que, quando se dirigirem a Ele, Ele os curará.
No fundo, a verdadeira Parábola de Deus é o próprio Jesus, sua Pessoa, que, no sinal da humanidade, esconde e ao
mesmo tempo revela a divindade. Dessa maneira, Deus não nos obriga a crer n'Ele, mas nos atrai a Si com a verdade e a bondade do seu Filho encarnado: o amor, de fato, respeita sempre a liberdade.

Bento XVI

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