quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sermões de Santo André de Creta

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo

(Oratio 10 in Exaltatione sanctae crucis: PG97,1018-1019)

 (Séc.VIII)

A glória e a exaltação de Cristo é a cruz
Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz.
Celebramos a
festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que,
abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e
de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro
aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele
e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.

Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não
seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do
lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido
rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos
provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz,a morte
não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.

É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim,porque por ela grandes bens se
tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais
excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e
vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o
diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos,
a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.

É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o
cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja
a glória de Cristo, escuta-o a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus
é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a
glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai,
glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar
(Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.

 Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for
exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a
exaltação de Cristo.

Fonte: Liturgia das Horas

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