quarta-feira, 21 de março de 2012

A Paixão do Pai fora vivida em Maria


A Virgem Maria me esclareceu o que eu não havia compreendido em profundidade; é que, durante a Paixão de Cristo, o Espírito Santo estava como encarnado em Maria. Através d´Ele, o Pai e Maria se uniam, intimamente, e se tornavam um único Ser.
A Paixão de Jesus, o seu sofrimento extremo, também foi a Paixão e o sofrimento extremo do Pai e a Paixão do Pai estava se consumando, estava sendo vivida em Maria. O Pai, por Sua vez, serviu-se do Seu coração Humano para nela sofrer, com ela sofrer e por ela sofrer, numa fusão única de amor.
A Paixão sofrida pelo Pai e a Paixão sofrida por Maria eram a mesma Paixão. Paixão humanizada, vivida em Maria com amor e intensidade infinita, de dimensão incalculável, pois eram sentimentos do próprio Deus Pai. Durante toda a Paixão de Jesus, o Espírito Santo era o elo, a comunicação entre Jesus e Maria, o elo e a comunicação do Pai nela, Maria. A Trindade estava, então, sofrendo a Paixão de Cristo com Maria. Tudo o que Jesus sofria, tudo o que sentia em Seu corpo, em Sua alma e em Seu coração humano, o Espírito Santo transmitia a Maria, que sentia, simultaneamente, os mesmos sofrimentos, os mesmos sentimentos de angústia, os mesmos sentimentos de amor para o Pai, e de perdão para os homens. Ao pé da Cruz, Sua maternidade e Seu amor por Jesus atingiram o ápice da plenitude, pois, n´Ela, o Pai vivia, fazendo com que Ela partilhasse a plenitude, a perfeição infinita de Sua paternidade.
Assim, também, para nós, pais (sabemos que esta é uma comparação pobre, fraca...), quando perdemos um filho, ou quando um filho atravessa momentos de grande sofrimento, é que nosso amor por ele atinge seu apogeu. Diante do padecimento, do grande suplício, mesmo que o relacionamento entre pai e mãe não seja perfeito, eles se unem, num único e mesmo amor, numa única e mesma dor, numa fusão ímpar de paternidade e maternidade...
Havia, igualmente, a presença invisível de São José, que tudo partilhava com Maria. E Maria com Jesus; ao mesmo tempo que seu Filho dizia baixinho: "Tenho sede", ela sentia sede com Ele e não somente a sede física, atroz, em seu corpo mortificado, ardendo em febre e já exangue -seu sangue fora todo derramado. Maria, naturalmente, desejava aliviar esta dor. Mas a sede espiritual que ela sofria com Jesus, quão fortemente os consumia... Era uma sede espiritual, que dizia respeito a todos nós, e com o Seu sofrimento e a Sua morte Ele nos resgatava trazendo a Salvação para a humanidade.
O que Jesus estava vivendo, Maria vivia com Ele. Na maternidade que conhecia sua mais intensa plenitude, Ela reunia, congregava seus filhos, todos filhos de Deus, seus filhos de todos os tempos, desde os primórdios da Criação até o fim do mundo. Nenhum de seus filhos era esquecido, bom ou mau. Com seu bem-amado Filho Jesus, Maria dizia: "Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem."
Não se tratava somente daqueles que causaram os sofrimentos de Jesus no Calvário, mas o perdão solicitado era para todos os pecadores, de todos os tempos. Com Ele, seu coração de Mãe dizia incansavelmente: "Pai, perdão, Pai, perdão, Pai perdão!"
Ela apresentava a seu Filho, todos os que O amaram, O esperaram, a todos os que O amam, atualmente... Nós estamos lá, presentes, assim como todos os que O amarão até o final dos séculos, unidos ao coração da Virgem Mãe onde arde o coração do Pai. Nosso amor foi o conforto supremo de Jesus quando desfalecia, na Cruz.
A Paixão de Madame R. (Rolande Levebvre)

Plon 1993, pp. 207-208





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