domingo, 10 de março de 2013

A Imaculada Conceição e o Proto-Evangelho (Gn 3, 15)


Paralelo ao relato de Lucas sobre a Anunciação, a Tradição e o Magistério indicaram o Proto-Evangelho (Gn 3, 15) como fonte escrita da verdade sobre a Imaculada Conceição de Maria. Este texto inspirou, a partir da versão latina “Ela te esmagará a cabeça”, muitas representações da Imaculada a esmagar
a serpente debaixo dos seus pés. Nós já tivemos a ocasião de lembrar, anteriormente,
que esta versão não corresponde ao texto hebraico, no qual  No entanto, como o conceito bíblico estabelece não é a mulher, mas sim, a sua linhagem, sua descendência, que esmaga a cabeça da serpente; o texto não atribui, então, a Maria, mas a seu filho, a vitória sobre Satanás.uma solidariedade profunda entre um pai e sua prole, a representação da Imaculada que esmaga a serpente, não pela sua própria força, mas pela graça do Filho, é consistente com o significado original da passagem.

O mesmo texto bíblico também proclama a inimizade entre a mulher e sua linhagem, por um lado, e a serpente e sua descendência, por outro. Trata-se de uma hostilidade expressamente estabelecida por Deus, que é de particular importância, se considerarmos o problema da santidade pessoal da Virgem Maria. Para ser a inimiga irreconciliável da serpente e de sua descendência, Maria devia estar isenta de qualquer domínio do pecado. E isto, desde o primeiro momento de sua existência. A este respeito, a Encíclica “Fulgens corona”, publicada pelo Papa Pio XII, em 1953, para comemorar o centenário da definição do Dogma da Imaculada Conceição, assim se enuncia:
“Se em um determinado momento, a Bem-Aventurada Virgem Maria tivesse sido privada da graça divina, tendo sido contaminada no momento de sua concepção pela mancha hereditária do pecado, não teria existido entre ela e a serpente esta inimizade eterna – pelo menos durante este lapso de tempo, por mais curto que fosse – referido na tradição primitiva, até a definição solene da Imaculada Conceição, mas teria existido certa escravidão, certa submissão. "(AAS 45 [1953], 579).

A hostilidade absoluta estabelecida por Deus, entre o homem e o demônio pressupõe, então, em Maria, a Imaculada Conceição, ou seja, uma total ausência de pecado, desde o início de sua vida. O Filho de Maria conquistou a vitória definitiva sobre Satanás e fez com que sua Mãe se beneficiasse disso antecipadamente, preservando-a do pecado. Como resultado, seu Filho deu-lhe o poder de resistir ao demônio, realizando assim, no mistério da Imaculada Conceição, o efeito mais importante de toda a sua obra redentora.
Fonte:Zenit.Org



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