domingo, 10 de março de 2013

Desapego às coisas materiais

"Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo." (Lc 3, 11)



As palavras de Jesus nos fazem pensar
sobre os tempos que vivemos hoje.

Num dia temos, no outro não temos mais. Momentos de abundância financeira alternam-se com os de escassez profunda.
O que é nosso realmente? O que nos faz possuidores de algo na Terra?
Tudo, por vezes, parece escorrer de nossas mãos tão facilmente!...
É difícil entender a posse, quando falamos dos bens materiais. Tudo aquilo que julgamos possuir, pode, de repente, pertencer a outro, ou a ninguém mais.
Estão aí as grandes calamidades levando tudo das famílias. Aí está a violência assaltando nossa vida. Tudo aquilo que despendemos tanto tempo para conseguir.
Tendo em mente apenas a visão material da vida, temos motivos para a revolta, para a indignação.
Porém sabemos que a vida não é isso, assim como sabemos que nós não somos o corpo de matéria bruta vislumbrado no espelho.
Somos muito mais... Assim como a existência o é.
Desta forma entendemos esta aparente despreocupação do Mestre, em relação ao Seu manto, quando afirmava: Aquele que vem para levar vosso manto, deixai que leve vosso outro manto também.
O manto era algo importante, um bem de necessidade básica, e mesmo assim a visão espiritual da vida diz: É apenas um manto.
Nosso tesouro maior está na alma, e esse ninguém pode arrancar de nós.
As conquistas que fazemos no campo do intelecto, o alcance das virtudes, os amores que cultivamos ao longo do tempo - nada pode ser retirado de nós.
Evitemos assim apego excessivo às posses que o mundo oferece.
Se a violência bater à nossa porta, deixemos que leve tudo, sabendo que nossa dignidade sempre permanecerá intacta.
Não arrisquemos a oportunidade bendita da existência, por um veículo, por algumas jóias ou por uma grande quantia em dinheiro.
Nada vale tanto quanto a chance de estar vivo. Nada vale tanto quanto a convivência com quem amamos.

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